Mercado global de IA no agro cresce acima de 25% ao ano e consolida novas aplicações que vão de sensores inteligentes à automação de máquinas.
Em 2025, a inteligência artificial deixou de ser uma promessa e passou a compor, de forma concreta, o dia a dia de sistemas produtivos agrícolas em todo o mundo. No Fórum Econômico Mundial, o CEO do Syngenta Group, Jeff Rowe, apresentou cinco tendências de IA que devem revolucionar o agro, destacando o uso de dados, algoritmos e automação do laboratório ao campo.
Ao mesmo tempo, relatórios de mercado mostram uma aceleração inédita: o mercado global de IA no agronegócio foi estimado em US$ 4,7 bilhões em 2024 e deve crescer a uma taxa anual média de 26% até 2034. Em 2024, cerca de 58% das grandes fazendas comerciais já utilizavam IA para manejo de culturas, frente aos 49% do ano anterior, sinalizando um ponto de virada na adoção tecnológica.
Com base no material do Syngenta Group e em análises de outros portais e relatórios globais, esse panorama mostra como a IA está sendo aplicada do solo à colheita, quais tendências ganharam força em 2025 e quais desafios ainda estão em pauta.
IA sai do laboratório e ganha escala no campo
No material apresentado pelo Syngenta Group, cinco grandes frentes de aplicação da IA se destacam: pesquisa & desenvolvimento (P&D), manejo no campo, cadeias de suprimentos mais eficientes, serviços de recomendação r e monitoramento ambiental.
A leitura é convergente com a de outros atores globais. Relatórios técnicos apontam que a IA passou a ser parte estruturante dos processos de tomada de decisão em manejo de culturas, integrando dados de sensores, satélites, clima e histórico de talhões para gerar recomendações de adubação, irrigação, controle de pragas e o momento ideal de plantio e colheita.
Na prática, isso significa:
- Modelos preditivos de alta precisão para estimar produtividade e antecipar quebras de safra;
- Algoritmos com visão computacional para identificar doenças e deficiências nutricionais em estágios iniciais;
- Ferramentas de IA generativa atuando como “assistentes agronômicos digitais”, ajudando produtores a interpretarem dados e montarem estratégias de manejo.
O ponto de convergência entre Syngenta e outros relatórios é claro: 2025 marca o ano em que a IA deixa de ser um piloto isolado para se tornar uma infraestrutura de produção em larga escala.

Mercado de IA no agro acelera com produtividade e escassez de mão de obra
Estudos de mercado indicam que o crescimento da IA no campo é impulsionado por três vetores principais: escassez de mão de obra, pressão por produtividade e exigência de sustentabilidade.
Relatório de 2025 projeta que o mercado de IA em agricultura pode chegar a mais de US$ 11 bilhões até 2031, com taxa de crescimento anual superior a 24%. A maior fatia desse mercado está na agricultura de precisão, que responde por cerca de 40–50% das aplicações, como ajuste fino de insumos, zoneamento de talhões e aplicações em taxa variável.
Outros dados reforçam a tendência:
- Adoção de IA em manejo de culturas em grandes fazendas subiu quase 10 pontos percentuais em um ano.
- Relatórios multilaterais apontam a IA como uma tecnologia-chave para aliviar gargalos em países com forte crescimento de demanda alimentar, mas com limites de terra e água.
O diagnóstico é compartilhado por Syngenta e por instituições internacionais: sem digitalização e IA, a conta entre oferta e demanda de alimentos tende a não fechar nas próximas décadas.
Do solo à colheita: onde a IA já está transformando a agricultura?
Ao cruzar o material do Syngenta Group com reportagens com outras fontes, é possível enxergar um fio condutor: a IA está presente em toda a jornada produtiva.
Monitoramento de solo, água e clima
Uma reportagem recente mostra como projetos com IA no Chile estão transformando o uso da água em bacias hidrográficas críticas, combinando dados de sensores no solo, imagens de satélite e modelos climáticos para definir irrigação com muito mais precisão.
Isso dialoga diretamente com as tendências destacadas pela Syngenta, que enfatizam o uso de dados de solo, mapas digitais e satélites para dar ao produtor uma visão holística da lavoura.
Manejo de pragas, doenças e nutrição
Boletins internacionais mostram a IA como peça central no manejo de pragas, permitindo direcionar aplicações apenas para áreas infestadas e reduzindo o uso de químicos sem comprometer a produtividade.
Ferramentas de visão computacional acopladas a drones e máquinas conseguem identificar reboleiras, falhas de estande e deficiências nutricionais com uma assertividade que seria impossível de alcançar através da análise visual.
Máquinas inteligentes, robótica e automação
A automação também ganhou destaque em 2025. Notícias trazem casos de tratores com sistemas de direção autônoma guiados por GPS e IA, como em projetos universitários na Índia, reduzindo esforço físico e aumentando a precisão de operações de preparo de solo.
Em outras regiões, plataformas robóticas de pulverização autônoma e soluções de “enxame de robôs” (swarm robotics) já operam em dezenas de milhares de hectares, ajustando doses em tempo real e liberando mão de obra para funções mais estratégicas.
Esse avanço em robótica agrícola dialoga com a visão da Syngenta de uma agricultura em que a IA integra sensores, máquinas e dados para executar tarefas repetitivas de forma automática, deixando ao produtor a tomada de decisão estratégica.
Desafios: dados, inclusão digital e confiança na IA
Se por um lado o potencial é enorme, por outro, os relatórios convergem sobre os desafios. Um estudo sobre o estado da arte da IA em sistemas alimentares destaca problemas de qualidade de dados, infraestrutura digital insuficiente em países de baixa e média renda e risco de concentração tecnológica nas mãos de poucos atores.
Além disso…
- A conectividade rural ainda é um gargalo em diversas regiões, limitando a adoção plena de ferramentas em nuvem;
- Há necessidade de capacitação técnica para interpretar modelos e saídas de IA, evitando dependência acrítica de recomendações automáticas;
- Reguladores discutem como equilibrar inovação com privacidade de dados e segurança cibernética no campo.
O ponto de contato com a agenda do Syngenta Group é a ênfase em IA como apoio à decisão e não substituição do conhecimento agronômico, integrando pesquisa, extensionismo e experiência do produtor.
Do solo ao silício: porque 2025 marca um ponto de virada no agro
Ao cruzar, o que diz o Syngenta Group, com o que apontam relatórios de mercado, além de estudos acadêmicos e notícias de diferentes continentes, a leitura é consistente: 2025 é um marco na consolidação da IA como infraestrutura da produção agrícola.
Não se trata apenas de incorporar uma nova ferramenta, mas de redesenhar o sistema produtivo em torno de dados, algoritmos e automação, da análise de solo ao planejamento da colheita.
Para o produtor, isso significa:
- Maior capacidade de planejar safras com base em cenários e não em “feeling”;
- Redução de desperdícios de insumos e otimização de recursos, como água e energia;
- Novos modelos de receita, como programas de carbono apoiados em monitoramento digital;
- Integração crescente entre biológicos, genéticas avançadas e ferramentas digitais de suporte à decisão.
Para o setor como um todo, a IA se torna peça central na equação produtividade x sustentabilidade x resiliência climática.
Acompanhe a evolução da IA no campo
Para quem atua no agro, acompanhar essas transformações deixou de ser opcional. A IA já está nas decisões de manejo, no planejamento de safra, no desenho de talhões, nas máquinas em operação e nas projeções de rentabilidade.
Produtores, consultores e empresas que quiserem se manter competitivos precisarão entender como essas ferramentas funcionam, quais dados são necessários e como integrá-las ao dia a dia da fazenda.
No portal Mais Agro, é possível encontrar conteúdos que aprofundam o uso de tecnologias digitais, biológicos, manejo sustentável e inovação no campo, conectando as tendências globais à realidade do produtor brasileiro.
Sobre o Mais Agro
O Mais Agro é o hub de conteúdo técnico da Syngenta, dedicado a levar informação confiável, análises de mercado, práticas de manejo e tendências agrícolas para produtores, consultores, pesquisadores e toda a cadeia do agronegócio. A central de conteúdos reúne materiais exclusivos sobre inovação, sustentabilidade, proteção de cultivos, tecnologias emergentes e desafios do setor. Para saber mais, acesse.
